Time After Time completa 36 anos
Escrito por Cyndi Lauper em colaboração com Rob Hyman, Time After Time é uma das maiores baladas de amor de todos os tempos. Lançado em 14 de outubro de 1983 no álbum de estréia da cantora, She's So Unusual, e em janeiro do ano seguinte como single, Time After Time foi um dos primeiros hits de Lauper e, sem dúvida, sua canção assinatura. A balada surgiu depois que Cyndi já havia gravado a maior parte do álbum. Seu produtor, Rick Chertoff, insistiu que ela precisava de “mais uma música”, então a apresentou ao cantor e compositor Rob Hyman e, juntos, eles começaram escrever Time After Time. Essa foi a primeira música que escreveram juntos.
Lauper conta, em sua autobiografia, Cyndi: minha história*, que sua gravadora, a Epic Records, queria que este fosse seu primeiro single. Ela respondeu que "lançar uma balada [romântica] primeiro te define de um jeito. Você fica conhecida como romântica e isso pode acabar com a sua carreira." A gravadora então acabou lançando Girls Just Want To Have Fun.
Cyndi Lauper começou a montar uma lista de títulos para a música. Um dia, folheando uma revista da TV Guide, um filme de ficção científica lhe chamou a atenção: Time After Time (1979).** "Eu nunca quis que esse fosse o título real da música. Era só pra me fazer pensar", disse ao Wall Street Journal. Hoje o título-refrão é parte essencial da música, sua marca.
Hoje, essa balada romântica dos anos 80 completa 36 anos desde o lançamento. Na época, She's So Unusual rendeu a Cyndi Lauper 5 indicações ao Grammy Awards de 1985, onde levou a estatueta de Artista Revelação. Ela também concorreu na categoria Álbum do ano, ao lado de Purple Rain, de Prince; Private Dancer, de Tina Turner; e Can't Slow Down, de Lionel Richie.
Em entrevista ao The Wall Street Journal (TWSJ), Rob Hyman contou que, no outono de 1982, estava tocando com sua banda, The Hooters, no clube Bottom Line, em Nova York, quando recebeu um telefone do amigo e colega de faculdade Rick Chertoff. "Rick estava prestes a produzir um álbum para uma cantora chamada Cyndi Lauper. Sua banda, Blue Angel, havia terminado no ano anterior e ela precisava de músicos", contou Hyman. Em entrevista ao Songfacts ele falou sobre seu primeiro encontro com Cyndi Lauper: "Conversamos e desde o começo ela parecia incomum. Definitivamente era diferente, marcante e criativa [...] nos tornamos a banda dela para esse álbum".
Dessa forma, Rob e Cyndi passaram dias no estúdio Record Plant, em Nova York, gravando demos de ideias. Hyman revelou ao TWSJ que a melodia de quatro acordes do refrão que conhecemos foi criada ao acaso no piano. A partir desse refrão começaram a surgir as melodias dos versos. "É uma música enganosamente simples. Os versos são apenas uma repetição de três notas... quase como uma canção de ninar, uma música muito simples.
Disse Lauper na mesma entrevista: "Enquanto Rob tocava, eu ficava ao lado do piano e dançava, meio que de forma livre. Mexer-me daquele jeito ajudou a descobrir como a música deveria soar".
Os autores também revelaram que, de início, a música tinha um ritmo mais rápido e alegre. "Enquanto Cyndi cantava, ela e eu percebemos que era uma música mais fechada e intensa do que uma alegre e animada. Quando diminuímos a velocidade, a música ficou enternecedora. Houve, de repente, muito mais emoção", disse Hyman.
Tínhamos gravado a maior parte do álbum e estávamos prestes a mixar quando ele [Rick Chertoff] sugeriu essa fatídica "mais uma música". — Rob Hyman para o Songfacts
Lauper conta, em sua autobiografia, Cyndi: minha história*, que sua gravadora, a Epic Records, queria que este fosse seu primeiro single. Ela respondeu que "lançar uma balada [romântica] primeiro te define de um jeito. Você fica conhecida como romântica e isso pode acabar com a sua carreira." A gravadora então acabou lançando Girls Just Want To Have Fun.
Cyndi Lauper começou a montar uma lista de títulos para a música. Um dia, folheando uma revista da TV Guide, um filme de ficção científica lhe chamou a atenção: Time After Time (1979).** "Eu nunca quis que esse fosse o título real da música. Era só pra me fazer pensar", disse ao Wall Street Journal. Hoje o título-refrão é parte essencial da música, sua marca.
Hoje, essa balada romântica dos anos 80 completa 36 anos desde o lançamento. Na época, She's So Unusual rendeu a Cyndi Lauper 5 indicações ao Grammy Awards de 1985, onde levou a estatueta de Artista Revelação. Ela também concorreu na categoria Álbum do ano, ao lado de Purple Rain, de Prince; Private Dancer, de Tina Turner; e Can't Slow Down, de Lionel Richie.
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| Capa de She's So Unsual, primeiro álbum de Cyndi Lauper, lançado em 1983. |
Em entrevista ao The Wall Street Journal (TWSJ), Rob Hyman contou que, no outono de 1982, estava tocando com sua banda, The Hooters, no clube Bottom Line, em Nova York, quando recebeu um telefone do amigo e colega de faculdade Rick Chertoff. "Rick estava prestes a produzir um álbum para uma cantora chamada Cyndi Lauper. Sua banda, Blue Angel, havia terminado no ano anterior e ela precisava de músicos", contou Hyman. Em entrevista ao Songfacts ele falou sobre seu primeiro encontro com Cyndi Lauper: "Conversamos e desde o começo ela parecia incomum. Definitivamente era diferente, marcante e criativa [...] nos tornamos a banda dela para esse álbum".
Dessa forma, Rob e Cyndi passaram dias no estúdio Record Plant, em Nova York, gravando demos de ideias. Hyman revelou ao TWSJ que a melodia de quatro acordes do refrão que conhecemos foi criada ao acaso no piano. A partir desse refrão começaram a surgir as melodias dos versos. "É uma música enganosamente simples. Os versos são apenas uma repetição de três notas... quase como uma canção de ninar, uma música muito simples.
Disse Lauper na mesma entrevista: "Enquanto Rob tocava, eu ficava ao lado do piano e dançava, meio que de forma livre. Mexer-me daquele jeito ajudou a descobrir como a música deveria soar".
Os autores também revelaram que, de início, a música tinha um ritmo mais rápido e alegre. "Enquanto Cyndi cantava, ela e eu percebemos que era uma música mais fechada e intensa do que uma alegre e animada. Quando diminuímos a velocidade, a música ficou enternecedora. Houve, de repente, muito mais emoção", disse Hyman.
"Eu senti que os versos tinham que ter alma. Como pintor, você deve viver o momento e pintar esse momento. Eu estudei os impressionistas, que pintavam suas emoções. Eu fiz isso com o meu vocal", revelou Cyndi Lauper.
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DECUPANDO A LETRA
Lying in my bed, I hear the clock tick and think of you (Deitada em minha cama, ouço o tique-taque do relógio e penso em você)
Caught up in circles (Presa em círculos)
Confusion is nothing new (Confusões não são novidade)
Flashback, warm nights almost left behind (Flashback de noites calorosas quase esquecidas)
Suitcase of memories, time after (Mala de memórias, horas depois)
Na primeira estrofe o eu-lírico, provavelmente uma garota — alter ego de Cyndi, que escreveu a canção —, narra uma experiência ao seu namorado. Ela descreve estar deitada na cama, ouvindo o relógio tiquetaqueando e pensando no amante. Está presa em ciclos confusos de memórias quase esquecidas. O eu-lírico ainda confessa repassar essas memórias de "noites calorosas", tentando talvez se lembrar dos bons momentos de seu relacionamento. A primeira estrofe já nos dá um indicativo que esse casal pode estar passando por uma crise no relacionamento, o que ficará mais claro adiante.
Para o Wall Street Journal, Cyndi Lauper disse que o primeiro verso que escreveu foi o Deitada em minha cama, ouço o tique-taque do relógio e penso em você. "Era sobre a minha vida. Eu tinha um relógio que ganhei de aniversário e mantinha na cabeceira da cama do meu apartamento de um quarto na rua 77, perto da avenida York. Dave Wolff, meu namorado e empresário na época, havia se deitado para dormir quando o relógio caiu e quebrou. Eu amava aquele relógio".
"Ele [Dave Wolff] quebrou meu despertador, um relógio da Betty Boop que eu amava, então trouxe um relógio da casa da mãe dele cujo alarme era tão alto que eu precisava colocá-lo no banheiro e fechar a porta e você ainda conseguia ouvi-lo." — Cyndi, em sua biografia Cyndi: Uma história
"Dave foi buscar um relógio de corda na casa da mãe dele. Mas quando o configuramos, ele tocou muito alto. Eu desci, coloquei ele na banheira e fechei a cortina. Só que eu ainda podia ouvi-lo tiquetaqueando da cama. Lembro-me de estar deitada e pensar em todas essas coisas pessoais pelas quais havia passado", relatou Cyndi.
Sometimes you picture me (Às vezes você me idealiza [imagina, projeta])
I'm walking too far ahead (Eu já estou bem à frente [disso])
You're calling to me (Você está me chamando)
I can't hear what you've said (Não consigo ouvir o que diz)
Then you say, "Go slow" (Então você diz "vai devagar")
I fall behind (Eu fico para trás / Eu me atraso)
The second hand unwind (A segunda mão [relógio] desanda)
Aqui a namorada fala para o rapaz que talvez ele a imagine de um jeito diferente da realidade, que ele a idealize ou idealize seu relacionamento. Ela está numa sintonia diferente da dele, está "bem à frente" da situação atual de ambos. O eu-lírico deixa subentendido que quer dar um passo adiante na relação mas o rapaz acha que as coisas estão indo rápido demais, estão ficando sérias. É quando ele diz "vai devagar", pois não se sente pronto física ou emocionalmente, deixando a namorada se sentindo "atrasada", deixada para trás. Eles estão em vibes diferentes.
Segundo Lauper, o último verso dessa estrofe ("A segunda mão desanda") foi inspirado no produtor Rick Chertoff. "Em dado momento no estúdio, o relógio dele entrou em contato com alguma coisa e se desmagnetizou. Sua segunda mão estava andando para trás e ele disse: 'Olha, olha, minha segunda mão está desandando'. Eu amei essa frase".
If you're lost, you can look and you will find me (Se estiver perdido, pode procurar que irá me encontrar)
Time after time (Repetidas vezes / Vez após vez)
If you fall, I will catch you, I'll be waiting (Se você cair, eu te pego, vou estar esperando)
Time after time (Repetidas vezes)
No refrão, o eu-lírico fala para o amante que se/quando ele estiver perdido, desamparado, pode procurá-la, ela estará esperando. Também pode ser uma indireta do tipo "Ok, você não quer dar um passo adiante em nosso relacionamento, mas quando precisar de mim, repetidas vezes, estarei aqui". Ainda pode ser interpretado como um fim de relacionamento. Talvez um término amigável.
Rob Hyman disse que a última coisa que escreveram foi o refrão. "Tínhamos Time After Time, só precisávamos das palavras que o cercariam", disse ao Songfacts. Também falou dos problemas problemas pessoais que enfrentavam em seus relacionamentos. Rob um término e Cyndi brigas sérias com seu então namorado-empresário Dave Wolff. Para ele, a música reflete esse clima.
Para o TWSJ, Lauper disse: "Enquanto eu dançava o que Rob tocava, comecei a pensar em altos e baixos, em se perder e se encontrar, [quando surgiu] 'se você cair, eu te pego, vou te esperar repetidas vezes' e 'se estiver perdido, pode procurar que irá me encontrar repetidas vezes'. Pareceu estranho no começo, mas quando cantei percebi do que se tratava. Eram partes da minha vida pessoal".
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| Pôster do filme Time After Time (1979), dirigido por Nicholas Meyer, que deu origem ao título da música. |
After my picture fades (Depois que minha imagem se desvanece)
And darkness has turned to gray (E a escuridão torna-se cinza)
Watching through windows (Assistindo pelas janelas)
You're wondering if I'm ok ( Você se pergunta se eu estou bem)
Secrets stolen from deep inside (Segredos roubados de lá do fundo)
The drum beats out of time (O tambor bate fora do ritmo)
Após os versos inciais, parece que nessa estrofe o eu-lírico confirma a hipótese de pausa ou término de relacionamento. After my picture fades pode significar que sua "imagem" foi embora, eles estão distantes. Ela está em sua cama, repassando as memórias calorosas. Os "segredos roubados de lá do fundo" são aqueles sentimentos pessoais que não compartilhamos com nada nem ninguém, mas que parecem ter sido roubados do eu-lírico por outra pessoa, no caso, o namorado. Ambos os amantes estavam em clara dessintonia, em sintonias fora do ritmo, "o tambor bate fora do ritmo".
Lauper disse ao TWSJ que essa estrofe é sobre seus relacionamentos anteriores. "Eu costumava sentar naquela cama, olhar pela janela e ver a escuridão se tornar cinza pensando neles [os namorados]".
Em relação a repetição final de Time After Time, Cyndi também explicou ao TWSJ: "Minha repetição de Time After Time como um sussurro sumindo no final simplesmente aconteceu. Eu entrei e saí de transe daquele jeito, cantando baixinho. Eu queria que soasse tranquilo, como se minha voz estivesse se afastando".
Sobre o a espontaneidade da falta de pré-produção Rob disse: "Nós nunca fizemos uma demo dessa música. Nós meio que a tocamos no piano por alguns dias, talvez uma ou duas semanas. Realmente aconteceu muito rápido, precisávamos que fosse pois o álbum estava sendo finalizado. Eu diria que em duas ou três sessões a música já estava praticamente pronta. [...] Fomos direto para a máquina de 24 pistas. A demo é o que vocês ouvem. Essa foi literalmente a primeira gravação real".
* Publicada em português no Brasil em setembro de 2019 pela editora Belas Letras, RS.
** Lançado no Brasil com o título de Um século em 43 minutos, o filme narra uma viagem no tempo do serial killer Jack, o Estripador, do século XIX para o século XX.
REFERÊNCIAS:
- LAUPER, Cyndi. Cyndi: minha história. Caxias do Sul: Belas Letras, 2019. 352 p;
- MYERS, Marc. How Cyndi Lauper Wrote Her First No. 1 Hit, ‘Time After Time’. The Wall Street Journal, 1 dez. 2015. Disponível em: https://www.wsj.com/articles/how-cyndi-lauper-wrote-her-first-no-1-hit-time-after-time-1448985798. Acesso em: 3 out. 2019.



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